
Acordas contrariada, porque odeias domingos de manhã. Odeias o sol que entra pela janela e te beija a barriga para te despertar. Odeias as fitas que volta e meia te passam diante dos olhos, e que trazem escritos em versos os erros da noite passada. E são tantos, mas o que dói nos erros não é cometê-los. O que dói nos erros é sempre a manhã seguinte. E por isso acordas contrariada, porque odeias domingos de manhã. Encostas a cabeça à almofada, encolhes-te no último bocadinho de sono, tentas fechar os olhos e tentas fugir do ar pesado do teu quarto. Mas há roupas espalhadas no chão, livros abertos na secretária, uma vela apagada, álbuns com fotografias de sentimentos que já acabaram, papéis no caixote do lixo. Há uma vida aqui, e é a tua.
Sentas-te na cama com as pernas nuas debaixo dos lençóis, e fixas o olhar no teto e ficas a pensar no que devias estar a pensar. Choras baixinho, e nem sequer estás triste. Estás só muito perdida. E estás muito sozinha. E se calhar isso dói-te ainda mais do que os erros. Não aguentas o teu telemóvel que não toca, a tua casa silenciosa, o vazio do dia inteiro que vais ter em mãos. Pesa-te tudo tanto. E choras mais um pouco. E mesmo assim o telemóvel não toca.
Podia ser mais fácil fugir. Podia ser mais fácil abandonar a vida e correr por aí sem ela. É sem dúvida mais fácil adormecer do que acordar. É mais fácil beber de madrugada do que tomar o pequeno-almoço. É mais fácil fingir amor do que lidar com a sua ausência.
Ninguém quer estar sozinho. Ninguém quer estar onde está. Odeias domingos de manhã porque te dói a cabeça, tens o estômago às voltas e o coração doente. Mas o problema é que há aqui uma vida, e é só a tua.
Gostei muito deste texto :') e se isto reflecte aquilo que tu sentes então espero que melhores dias venham e que sejas muito feliz querida *
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