Eu podia dizer-te mil coisas, mas agora quero dormir. Tenho mesmo mil nós de palavras entalados no fundo da garganta, mas agora quero dormir. Quero fechar os olhos, porque agora quero dormir, mas odeio-te tanto que nem sei. Apago a luz mas a raiva corre-me bruta nas veias, o teu sorriso pica-me o topo da cabeça como se cada dente teu fosse uma agulha. Evoco sonhos de outras noites mas estou apaixonada por ti. Mordo os lençóis, reviro-me num desespero fundo, e o que raio é feito de ti? Quem raio achas tu que és? Eu sou eu, sou eu ainda e tu gostas de mim. Sei que ainda gostas de mim, então onde estás tu, e porque é que para o mundo é normal passar por ti e não te sorrir? Conhecemo-nos, e agora fazemos o quê? Desconhecemo-nos? Eu juro que quero dormir, mas abro os olhos no escuro e que merda é esta? Dói tanto assim e não faz sentido. Não fazes sentido. Não faço sentido. Quero dormir mas o meu quarto é escuro e enjoativo e mudo e calado e não faz sentido o mundo estar a girar há milhões de anos e eu estar aqui deitada a pensar em ti, parvalhão. Odeio-te tanto que nem sei. Quero dormir. A lua já está posta no céu outra vez, a casa já está em silêncio outra vez, já se ouve o tempo passar no barulho surdo dos ponteiros do relógio da cozinha, outra vez. Vejo as horas morrer nas sombras das paredes; sinto os pulmões encolherem-se-me dentro do peito, estúpidos e desatentos; ouço as vozes da noite a meio tom; respiro o peso da minha existência aqui, neste sítio, neste preciso momento.
E eu juro que só queria dormir.

A situação do "odeio amar-te". I can relate.
ResponderEliminar(P.s. Adoro a maneira como escreves! Segui :)
Segue-me neste novo cantinho http://luaaa07.blogspot.pt/
ResponderEliminarp.s :Apaga este comentário :)